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10 EXEMPLOS DOS INGLESES QUE PODEM SALVAR O FUTEBOL BRASILEIRO



Contando desde o jogo Shanmrock 3 x 0 Galway, pelo Campeonato Irlandês em agosto de 2015, la se vão quase 30 jogos que presenciei na Europa, sobretudo na Inglaterra, com credencial de jornalista ou como torcedor.


Em todos eles, seja em Anfield Road, White Hart Lane ou no modesto Tallagah Stadium, percebi vários pontos positivos que poderiam ser utilizados pelos clubes brasileiros para melhorar o estado lamentável em que se encontra o futebol profissional em nosso país.


Aqui vão alguns bons exemplos que podem ser copiados por nossos times.


1. Respeito dos jogadores com a torcida
Em todos os jogos que fui – incluindo partidas de Champions/Europa League, Premier League e Campeonato Escocês – notei a extrema vontade dos jogadores em honrar a camisa que vestem, valorizando a torcida e o clube. Vi equipes sendo goleadas dentro de casa e mesmo assim serem aplaudidas de pé. Nem todos correm esfomeados atrás da bola, mas é nítido das arquibancadas a doação dos atletas na partida. No Brasil, muitos parecem se preocupar mais em qual churrasco ou balada vão depois do jogo, atualizar o twitter e outras futilidades que deveriam ser menos importantes do que jogar bola. 


Mesmo sendo seu ganha pão, infelizmente a grande maioria não valoriza poder trabalhar fazendo o que gosta, e preferem ficar vidrados na sua condição de astro, de estrela. Eu fiquei assombrado quando vi as equipes britânicas e irlandesas irem para cima tentando reverter o placar em todos os jogos, de tal maneira que só ocorre de tempos em tempos na Serie A.


2. Forma física dos atletas
Remeto novamente ao tópico 1 para falar sobre a falta de doação em campo dos atletas brasileiros. Juro que só percebi isso quando passei a acompanhar os jogos por aqui de dentro dos estádios. 


Pela TV isso passava um pouco imperceptível, mas das arquibancadas presenciei jogadores, independente do nível técnico, muito atentos e comprometidos com o jogo, além da forma física diferenciada. Alguns clubes brasileiros possuem CTs e centros de fisioterapia e fisiologia renomados, capazes até de milagres como curar o eterno ‘bichado’ Alexandre Pato. Contudo, nem o melhor personal trainer pode lidar com tantos atletas desinteressados e que não se cuidam. 


Baladas, noites sem dormir, corpo mole nos treinos e academia fazem o rendimento cair de forma assustadora. Enquanto atletas roliços como Douglas (Grêmio), Walter (Atlético Paranaense) e Anderson (Internacional) ainda tiverem vez na Serie A, o futebol brasileiro ainda  comerá poeira, sendo apenas tapa buraco nos canais esportivos do exterior.


3. Categorias de base
Outro ponto chave nessa analise são as categorias de base. Como misteriosamente nossos clubes não produzem mais grandes craques como no passado? Para mim parte dessa seca de talentos começa na base. Paradoxalmente, as categorias de base evoluíram a tal ponto que hoje alguns pimpolhos do sub-17 possuem vida de mega-star da bola sem nunca ter subido ao profissional.



 Grandes salários, paparicos e campeonatos importantes fazem quase sempre o sucesso subir a cabeça desses jovens, que dificilmente conseguem subir ao time principal em alto nível. Acredito que os talentos estão por ai como sempre, nas peladas dos bairros, no campinho de terra batida, mas no meio do caminho talentos natos se perdem. Na Inglaterra também existem vários exemplos negativos, mas vejo que a geração de Harry Kane e Delle Ali aprendeu com erros do passado, e as categorias de base dos britânicos estão produzindo como nunca.


4. Publico nos jogos
A média de publico no Brasil é uma piada. Mesmo com enormes torcidas, grandes clubes não conseguem atrair mais de 20 mil torcedores por media nas partidas, o que para os padrões ingleses representam times de terceira divisão. Claro que a situação econômica deles é bem diferente da nossa, mas tenho certeza que se os clubes se estruturassem de forma correta, conseguiríamos resultados satisfatórios, e não apenas exceções, como Corinthians e Palmeiras. 


Bom estádio nem sempre e sinônimo de grande publico, vide o caso dos elefantes brancos da Copa, mas no caso dos paulistas as novas arenas influenciaram decisivamente na média  dos jogos. Se os clubes formarem equipes melhores e se estruturarem, mesmo em crise  e possível vislumbrar ao menos marcas de equipes como Watford e Norwich, com mais de 20 mil por jogo.


5. Sócio torcedor
A má condução  dos programas de sócio torcedor por parte de alguns clubes tem contribuído para o baixo publico nos estádios. Equipes colocam preços absurdos no valor das entradas para obrigar o torcedor a se associar. Esta é uma forma errada de conduzir esta valiosa fonte de renda do clube. O Everton FC por exemplo, assim como os rivais, tabela o valor dos seus ingressos e os dividem por zonas, que variam de oponentes a campeonatos. 



Eles custam em media 45 libras na Premier League, mas você pode pagar bem mais barato na Capitol One Cup, e os sócios têm prioridade. Caso não vendam tudo, a três dias do jogo o clube disponibiliza o ingresso para venda direta para o torcedor comum, acrecido de um valor mínimo, como 5 ou 10 libras. O Internacional de Porto Alegre é um dos exemplos do bons exemplos que temos nesse quesito, com mais de 100 mil sócios, mas já assistir a dois jogos no Beira Rio com públicos abaixo de 5 mil pessoas. 



O sócio tem que se associar ao clube por vontade própria, e não por ser obrigado apenas para pagar ingresso barato. É necessário criar uma serie de vantagens e descontos para convencer o torcedor, de acordo com a realidade em que se encontra o time e região/país. Por exemplo, o plano de sócio-torcedor de um time do Norte não pode ser igual ao de um da região sul, pois são realidade estruturais e econômicas diferentes. A grande questão seria manter médias de publico aceitáveis em todos os jogos, não apenas em decisões, e o sócio torcedor é a melhor maneira de conseguir esse feito.


6. Receita de TV
A receita de tv é, para a maioria dos grandes clubes sul-americanos ou europeus, uma das principais fontes de renda anual. Mas no caso dos brasileiros, até bem pouco tempo os valores eram bem abaixo do que os clubes poderiam ganhar para divulgarem suas marcas. A Globo detêm o monopólio do Brasileirão há vários anos, mas aos poucos vem perdendo terreno para outros concorrentes, como o Esporte Interativo, que ja fechou com vários clubes para 2019, como Fluminense e Santos. 



Segundo dados divulgados na imprensa, os valores ultrapassam a marca de R$600 milhões. Com cotas absurdamente altas de TV, os clubes ingleses só não montam melhores elencos por incompetência de seus dirigentes, mas em pouco tempo serão imbatíveis dentro de campo também. Vi de perto vários clubes reformando seus estádios, como Tottenham e Liverpool, com a ajuda dessa verba, que só tem a aumentar com o passar dos anos, com o último acordo ultrapassando a marca de 3 bilhões de libras! 


Os clubes tradicionais tupiniquins finalmente acordaram e pleiteiam por novos acordos, o que acarretará maiores investimentos e provavelmente equipes melhores. Resta esperar até 2019!


7. Torcedores com grana ajudando o clube
Fiquei impressionado com a atitude de vários torcedores europeus, que realmente botam a mão na massa pelo clube, como é o caso do United of Manchester, time fundado por fans descontentes com a venda do United original para um grupo de investidores americanos. Eles próprios colocam dinheiro no time e constroem com as próprias mãos, literalmente, o novo estádio do clube, que atualmente disputa a sexta divisão do futebol inglês. Outro exemplo marcante é o Wimbledon FC, que recentemente faliu e acabou vendido para um grupo de empresários, que deu origem ao MK Dons.  



O AFC Wymbledon iniciou na oitava divisão e atualmente briga pelo acesso na League Two, equivalente a quarta divisão. O Portsmouth FC, time que cobrirei neste final de temporada, também passou por maus bocados financeiros, quase caiu, mas com a ajuda do Pompeys trust, formado por torcedores,  se estruturou e luta para recuperar o prestigio perdido na League Two inglesa. Publicarei várias matérias do clube nas próximas semanas, direto de Portsmouth, aonde moro atualmente.


8. Valorização da marca no exterior
Estive em vários países da América do Sul, Central e Europa e praticamente não vi a marca ou roupa de times brasileiros nas lojas desses lugares, e dificilmente vi gringos falarem sobre o nosso futebol.  Equipes como Boca Jrs, River Plate e America-Mex possuem um valor bem mais alto que os nossos time no exterior. Penso que o motivo disso nada mais é que um melhor trabalho de marketing desses times. 


A receita do exterior sempre é bem vinda, pois representa a chegada de recursos extras, geralmente em dólar, e um intercâmbio de informações maior para o clube, facilitando até mesmo na hora das contratações e fechamento de novos contratos de patrocínio. Os rivais de Manchester, por exemplo, todo ano fazem excursões na pré-temporada e na próxima vão para a China juntos, numa empreitada de milhões de euros. Um dos principais entraves dos brasileiros não conseguirem fazer algo semelhante é o calendário de jogos diferente dos outros países.


9. Troca no calendário e fim dos estaduais
Para ter o direito de pleitear, no futuro, o posto de campeonato de futebol importante no cenário mundial, a Serie A tem que, para início de conversa, mudar seu defasado calendário anual. O calendário europeu, com início em agosto e término em maio, é seguido por várias outras ligas do planeta e no Brasil não há motivo para ser diferente. Os clubes brasileiros são muito prejudicados com as datas FIFA e transferências de atletas no meio do campeonato, o que causa desnivelamento no torneio e  lamento dos torcedores. 



Outro atraso que deve ser corrigido é a permanência dos estaduais como integrante do calendário oficial. Para isso ocorrer, são necessários vários anos de estudo  para que os times menores possam ter agenda durante toda a temporada. O atual formato prejudica os grandes clubes com estádios vazios nos Estaduais e também as pequenas equipes, que caso não se classifiquem para as divisões inferiores, são obrigadas a ter seis meses de recesso todos os anos, causando demissões e trocas de elenco constantes, prejudicando o bom futebol. Para mim este é o ponto mais importante da análise.


10. Investimento nos estádios
O clube pode ser grande como for, mas o estádio sempre será, ao lado das cotas de TV, a grande fonte de receita do clube. Equipes como Barcelona e Liverpool iniciaram processos de ampliação dos seus estádios para aumentarem suas receitas. Mais uma vez remeto ao exemplo positivo de Corinthians e Palmeiras, que ao lado do Grêmio, investiram em seus estádios próprios e a curto prazo já tem ganhos muito superiores em público e faturamento. 


Clubes da estirpe de Cruzeiro e Flamengo não podem depender ainda de estádios estatais, que abocanham suas receitas e geram diversos outros problemas. O Verdão está comprovando o que uma nova arena pode fazer com um clube, que mesmo com elencos medianos para baixo, conquistou a Copa do Brasil, lota as arquibancadas em quase todos os jogos  e este sim, diferente do Vasco, pode dizer de fato que o respeito voltou. O entrave para que mais clubes tenham seus próprios estádios são os altos custos, mas parcerias e idéias como a Arena Palmeiras podem e devem ser copiadas.


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